Acordei às 3:50 da madrugada, depois de ter passado uma noite em claro me divertindo com amigos num sítio em Tinguá. Não foi falta de sono que me acordou, mas um sonho ruim. Acordei triste e irritado, nada me fazia esquecer o sonho.
Sonhei com meu pai, ele dizia que meu avô teria dito a ele que telefonaria quando fosse sua hora ... logo depois ele acrescenta que minha prima Neusinha teria sonhado que meu avô tinha telefonado.
Fiquei mal por uns minutos pensando nisso, depois levantei e fui beber água. Orei a Deus por meus pais e familiares, quero-os no céu quando o dia derradeiro chegar. Mas também pedi justiça quanto ao tratamento que meu pai tem recebido do Governo. Explico:
Meu pai é comerciário. Trabalhou na roça por muitos anos, até ser vencido pelo cansaço e vir tentar a vida no Rio de Janeiro. Veio trabalhar no bar do meu tio Mário (ele é o coroa da foto da comunidade da Família Antonieto no orkut).
Mau pai é um cara corajoso. Veio para Belford Roxo - RJ, a cidade mais violenta do mundo naquele tempo, praticamente com uma mão na frente e outra atrás, morar com meu tio e ganhar a vida. Chegou trabalhando. Seu primeiro serviço foi limpar o sangue do bar após uma briga em que alguém matou outrem ... Eu teria voltado pra Minas na mesma hora.
Ele ficou.
Trabalhou de domingo a domingo, dormiu na casa do meu tio, dormiu no bar que os dois abriram um pouco mais afastado do primeiro, continuou cortejando minha mãe por carta, até que a convenceu a casar. Ela veio pra ajudar, servir de base de apoio para a vida nova que ambos contruíriam.
Um dia ainda peço a ambos pra publicar as cartas ou tentar transformar em filme. Eu ainda não as li, mas meu pai recitou uns pedaços uns anos atrás. É uma história que merece ser contada pois mostra as agruras pelas quais passaram os que expandiram esse país.
Trinta e tantos anos se passaram, meu pai ainda trabalha de domingo a domingo e, uns anos atrás, com sessenta e tantos anos de idade, resolve se aposentar. Como tem pouco menos do tempo mínimo de contribuição pedido pelo INSS (3, 4 meses), já dá entrada em sua aposentadoria. Como ele sempre pagou sobre 5 salários, pensa em ter uma vida mais tranquila e estável financeiramente.
Negada.
Pede recisão.
Negada.
Pede revisão novamente. Anexa provas, comprovantes. O processo roda pelos postos do Rio de janeiro inteiro. Muitos meses se passam. Um ano e tal depois, alguém percebe que ele realmente tem direito a se aposentar. Aposentam-lhe.
com UM salário mínimo.
o mesmo de um indigente, pobre coitado qualquer, que jamais pagou um centavo pro INSS, mas tem o direito de receber alguma coisa do governo para sua sobrevivência.
Meu pai não voltou pra Minas depois de ver um homem morrer na sua frente no primeiro dia de trabalho, não ia desistir tão fácil.
Pediu revisão do benefício que, obviamente, estava calculado errado. O Luíz, irmão da Luciane, contador, refez os cálculos, a diferença era de mais ou menos uns 300%.
Os "analistas" "peritos" do INSS negaram. "Tem alguma coisa errada com seu benefício, mas pelo sistema eu não consigo dizer o que é..." Eu, nós - meu pai, minha irmã e eu, ouvimos isso da boca de um deles.
Eu trabalho com T.I. a quinze anos. Sou funcionário público a onze. Se vocês acham que eu fiquei irritado deviam ver minha cara vermelha. A culpa sempre é do sistema. A cor da grama que os "analistas" comem, se mudar, mata uma multidão. Mas a culpa é do sistema.
Próximo passo, Tribunal de Justiça.
Nais de um ano de processo depois, o INSS se convence de que seus cálculos estão errados. Isso depois de três diligências à APS Belford Roxo. O número do Pis pelo qual meu pai foi aposentado estava diferente do número pelo qual meu pai sempre pagou o INSS... E a culpa é do sistema.
Não, meus amigos, ainda não terminou. Esse reconhecimento foi há uns seis meses. Desde então, nenhuma novidade. O INSS reconheceu que errou, mas o processo está nas mãos do Juiz Marcio Sother, que provavelmente não o viu ainda na pilha gigante que aparece em seu computador.
E meu pai lá no bar, de domingo a domingo.
segunda-feira, julho 26, 2010
segunda-feira, março 22, 2010
Voltando devagar ...
OK, OK!
Eu sei que prometi não sumir, que escreveria mais de cinco vezes por ano, etc.
É, eu não cumpri. Ponto. Foi mal.
Estou voltando devagar. Ano cheio. Conto mais depois.

Eu sei que prometi não sumir, que escreveria mais de cinco vezes por ano, etc.
É, eu não cumpri. Ponto. Foi mal.
Estou voltando devagar. Ano cheio. Conto mais depois.
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terça-feira, janeiro 06, 2009
Feliz ano novo!
Feliz ano novo!
Sei que estou atrasado, como sempre, mas esse ano tenho boas desculpas.
Meu primeiro presente de natal foi um assalto. Literalmente. O candango levou a mochila com tudo dentro: celular, carteira, livros, chaves, etc. Por isso, meu feliz natal e ano novo atrasados àqueles pra quem nao liguei.
O segundo presente até parecia um presentao, mas o governo me sacaneou e baixou o IPI uma semana depois. Isso ai. Tamo motorizado. E eu ainda levei uma motorista particular de brinde.
O terceiro presente nem foi pra mim, mas saber que meu pai fechou o bar e foi viajar, depois de anos encarcerado, foi um presentao.
Tem outros presentes, mas depois conto. Juro que prometo que esse ano nao vai ter so cinco postagens.
Sei que estou atrasado, como sempre, mas esse ano tenho boas desculpas.
Meu primeiro presente de natal foi um assalto. Literalmente. O candango levou a mochila com tudo dentro: celular, carteira, livros, chaves, etc. Por isso, meu feliz natal e ano novo atrasados àqueles pra quem nao liguei.
O segundo presente até parecia um presentao, mas o governo me sacaneou e baixou o IPI uma semana depois. Isso ai. Tamo motorizado. E eu ainda levei uma motorista particular de brinde.
O terceiro presente nem foi pra mim, mas saber que meu pai fechou o bar e foi viajar, depois de anos encarcerado, foi um presentao.
Tem outros presentes, mas depois conto. Juro que prometo que esse ano nao vai ter so cinco postagens.
sábado, outubro 11, 2008
Mais de um ano depois
Pois zé ...
Mais de ano de casado. Posso afirmar que esse negocio é bom demais. Estou muito feliz com meu casamento. Tenho certeza que me casei com a pessoa certa, na hora certa.
Te amo muito minha Vivinha!
Mais de ano de casado. Posso afirmar que esse negocio é bom demais. Estou muito feliz com meu casamento. Tenho certeza que me casei com a pessoa certa, na hora certa.
Te amo muito minha Vivinha!
segunda-feira, maio 05, 2008
Mudanças
O ano de 2006 foi um ano muito interessante. Varias empresas plublicas abriram vagas em seu quadro de funcionarios, o que fez com que surgissem varios bons concursos na area de informatica. Fiz provas para o BNDES, FINEP, MPU e Eletrobras e so me dei muito mal no BNDES. Passei em posiçoes razoaveis na maioria dos concursos.
Na FINEP, o segundo colocado foi um cara da minha empresa, Elton Levita, que entrou no Iplan no mesmo dia que eu. Fiquei feliz por ele e, quando soube que ele fora convocado, liguei para parabeniza-lo. Fiquei sabendo por ele que a equipe de redes da FINEP era pequena (4 pessoas) e que ele mesmo so entrara por causa da saida de outro cara para a Petrobras. Como eu era o 9° da fila, acabei nao tendo muitas esperanças nesse concurso, torcendo mais para os outros em que tinha passado.
Qual nao foi minha surpresa quando atendo o telefone do trabalho e a voz do outro lado pergunta "O senhor Neliunton, por favor.", "Sou eu, pois nao...", "Eh sobre um concurso que o senhor fez para a FINEP em 2006. O senhor foi convocado e gostariamos de saber se o senhor vai assumir o cargo..."
Eu juro que fiquei uns cinco segundos tentando juntando os pedacinhos de miolos explodidos. Depois de me recuperar do susto, tudo que eu consegui dizer foi "Ehhhhh vooouuuu siiimm.... " com a voz mais lerda do mundo.
Claro que se fosse tao simples assim eu nem me daria o trabalho de escrever isso tudo. Na mesma hora, assim que a mulher desligou o telefone, eu me lembrei da minha situaçao na faculdade, que obviamente estava enrolada ... eu nao tinha diploma, nao havia colado grau oficialmente e pra piorar ainda estava devendo documentos à faculdade, entre eles o meu diploma de segundo grau, que pouco tempos atras eu fui requerer no CEM e demorara até agosto pra ficar pronto. Imaginem um cara nervoso, agora imaginem que ele esta apavorado: era eu.
Sai da sala correndo e fui parar na Estacio. Expliquei toda minha situaçao pro cara da secretaria, que se compadeceu da minha historia e conseguiu descolar um documento provisorio. Detalhe sordido: eu teria que pagar o documento no banco no mesmo dia, ou eles nao conseguiriam liberar no dia seguinte. Obviamente, logo nesse dia eu tinha dicidido deixar o cartao do banco em casa, e ja eram duas da tarde.
Pra resumir: depois de toda a enrolaçao, finalmente eu consegui "colar grau" oficialmente pela Estacio, o que é uma burocracia completamente idiota que eles poderiam resumir a quinze minutos na secretaria. Terei de cumprir aviso no Iplan ate meados desse mes e amanha me apresento ao FINEP, ja como funcionario Federal, mas sem poder ir trabalhar la até dia 19.
Depois da Formatura e Casamento, essa sera minha terceira grande mudança seguida. De um emprego de quase 9 anos no Iplan para um lugar completamente novo, agora como Analista de Redes. Estou me borrando de medo, mas preciso muito encarar esse novo degrau na minha carreira. So espero corresponder nao apenas ao que eles esperam de mim, mas ao que eu mesmo espero de alguem nessa posiçao.
E eu sou exigente pacas.
Na FINEP, o segundo colocado foi um cara da minha empresa, Elton Levita, que entrou no Iplan no mesmo dia que eu. Fiquei feliz por ele e, quando soube que ele fora convocado, liguei para parabeniza-lo. Fiquei sabendo por ele que a equipe de redes da FINEP era pequena (4 pessoas) e que ele mesmo so entrara por causa da saida de outro cara para a Petrobras. Como eu era o 9° da fila, acabei nao tendo muitas esperanças nesse concurso, torcendo mais para os outros em que tinha passado.
Qual nao foi minha surpresa quando atendo o telefone do trabalho e a voz do outro lado pergunta "O senhor Neliunton, por favor.", "Sou eu, pois nao...", "Eh sobre um concurso que o senhor fez para a FINEP em 2006. O senhor foi convocado e gostariamos de saber se o senhor vai assumir o cargo..."
Eu juro que fiquei uns cinco segundos tentando juntando os pedacinhos de miolos explodidos. Depois de me recuperar do susto, tudo que eu consegui dizer foi "Ehhhhh vooouuuu siiimm.... " com a voz mais lerda do mundo.
Claro que se fosse tao simples assim eu nem me daria o trabalho de escrever isso tudo. Na mesma hora, assim que a mulher desligou o telefone, eu me lembrei da minha situaçao na faculdade, que obviamente estava enrolada ... eu nao tinha diploma, nao havia colado grau oficialmente e pra piorar ainda estava devendo documentos à faculdade, entre eles o meu diploma de segundo grau, que pouco tempos atras eu fui requerer no CEM e demorara até agosto pra ficar pronto. Imaginem um cara nervoso, agora imaginem que ele esta apavorado: era eu.
Sai da sala correndo e fui parar na Estacio. Expliquei toda minha situaçao pro cara da secretaria, que se compadeceu da minha historia e conseguiu descolar um documento provisorio. Detalhe sordido: eu teria que pagar o documento no banco no mesmo dia, ou eles nao conseguiriam liberar no dia seguinte. Obviamente, logo nesse dia eu tinha dicidido deixar o cartao do banco em casa, e ja eram duas da tarde.
Pra resumir: depois de toda a enrolaçao, finalmente eu consegui "colar grau" oficialmente pela Estacio, o que é uma burocracia completamente idiota que eles poderiam resumir a quinze minutos na secretaria. Terei de cumprir aviso no Iplan ate meados desse mes e amanha me apresento ao FINEP, ja como funcionario Federal, mas sem poder ir trabalhar la até dia 19.
Depois da Formatura e Casamento, essa sera minha terceira grande mudança seguida. De um emprego de quase 9 anos no Iplan para um lugar completamente novo, agora como Analista de Redes. Estou me borrando de medo, mas preciso muito encarar esse novo degrau na minha carreira. So espero corresponder nao apenas ao que eles esperam de mim, mas ao que eu mesmo espero de alguem nessa posiçao.
E eu sou exigente pacas.
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